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Anti-átomos frios de hidrogênio, constituídos de pósitrons e anti-prótons, foram produzidos pela primeira vez no laboratório CERN, confinados por campos elétricos e magnéticos.
(American Institute of Physics)
A natureza permite a existência de antimatéria, mas não a produziu em larga escala. Pequenas quantidades de anti-prótons são produzidos através de raios cósmicos, e pósitrons (ou anti-elétrons) estão presentes em regiões de alta energia, tais como núcleos galáticos. Mas se grandes formações de anti-matéria, tais como anti-estrelas e anti-galáxias fossem abundantes no universo visível, então detectaríamos gigantescas fontes de raios gama onde a matéria e a anti-matéria colidisse. Esta radiação em larga escala nunca foi vista, e os cientistas têm de produzir sua própria anti-matéria artificialmente.
Mas a produção do anti-hidrogênio é difícil. Pósitrons e anti-prótons, mesmo quando manipulados e aproximados, passam rápido demais uns pelos outros para que um átomo neutro se forme. Há alguns anos, aproximadamente uma dúzia de átomos de anti-hidrogênio foram produzidos após colisões e espalhamentos violentos, realizados no CERN (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares) e no Fermilab. Esses átomos não duraram o suficiente para serem estudados, e desapareceram assim que encontraram os detectores que registraram sua existência.
Diversos experimentos em ambiente controlado estão sendo conduzidos no CERN de modo a possibilitar um estudo mais detalhado dos anti-átomos. A meta principal é determinar se as leis da Física (gravitação, mecânica quântica, relatividade, etc.) se aplicam também aos anti-átomos. Em encontro na American Association of the Advancement of Science (AAAS), Gerald Gabrielse, pesquisador de Harvard e porta-voz do grupo de pesquisa ATRAP (Antihydrogen Trap), apresentou novos resultados. Em seu experimento um feixe de anti-prótons de 6 MeV (milhões de elétrons-volt), produzidos por uma colisão de prótons contra um alvo específico, foram desacelerados em 10 bilhões de vezes (para uma temperatura equivalente a 4 graus Kelvin) e em seguida confinados. Pósitrons provenientes do decaimento do sódio-22 foram resfriados e coletados na outra extremidade do dispositivo. Cerca de 300.000 pósitrons foram eletricamente deslocados na direção de aproximadamente 50.000 anti-prótons.
Gabrielse acredita que não se trata apenas de uma nuvem de plasma constituída de anti-partículas, e sim que anti-átomos frios foram produzidos. Novos sistemas de detecção serão instalados nos próximos meses, de modo a fornecer diagnósticos mais precisos. Equipamentos maiores e equipados com lasers fornecerão aos pesquisadores ferramentas para o estudo da espectroscopia dos anti-átomos que eventualmente se formarem no dispositivo.
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