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CIA estuda gás paralisante BZ desde o início da década de 1960
Dr. George Felipe de Lima Dantas *
(28/10/2002)

      Segundo autoridades médicas russas, aproximadamente 120 mortos de uma operação de resgate em Moscou no mês de outubro foram envenenados por um tipo de gás paralisante. Apenas um dos mortos apresentava ferimentos por disparo de arma de fogo. 195 dos resgatados vivos permanecem internados, 45 deles em estado grave. Somam 50 os mortos do comando checheno que realizou a operação de seqüestro no teatro moscovita. Antes da confirmação do uso de um derivado do Fentanyl, acreditou-se que o gás utilizado teria sido o "BZ".

      O "BZ" é um potente agente psicoquímico, mais efetivo ainda que o Ácido Lisérgico (LSD). Veiculado sob a forma de gás, produz diminuição temporária da atividade física e mental em decorrência da desorientação e das alucinações que ele induz em seres humanos, sintomas que podem perdurar por várias horas.

      Modernamente, a preocupação de neutralizar a propaganda negativa também se aplica ao tipo de arma utilizada por militares e policiais. É a "guerra de relações públicas", travada antes, durante e depois de ações militares ou operações policiais de segurança pública. A produção de imagens midiáticas de pessoas mortas e mutiladas, sensibilizando negativamente a opinião pública, faz com que essa "guerra" seja ainda maior e mais abrangente. Isso vem produzindo o ânimo de desenvolvimento e utilização de armas que, muito embora efetivas, não matem ou sequer lesionem aqueles contra quem elas sejam utilizadas.

      As tentativas de criação e emprego de tipos especiais de armas, as chamadas não-letais" e "menos-que-letais", estão pontuadas de fiascos. A criação e o estudo da possibilidade de utilização desse gás é um caso bem conhecido e documentado.

      Na década de 1950, o Corpo Técnico Químico do Exército dos Estados Unidos da América (EUA) chegou a enviar um representante para testemunhar, frente o congresso daquele país, acerca do gás "BZ". Segundo os registros do testemunho, esse gás teria capacidade de neutralizar a capacidade de resistência de opositores, internos ou externos, sem com isso produzir dano ao organismo humano ou ao patrimônio material do local onde fosse empregado. Teria grande potencial de utilização, por exemplo, quando da necessidade de incapacitar indivíduos alojados em meio a uma "população civil amiga", ou em locais cujo patrimônio material fosse necessário preservar.

      É um velho objeto de pesquisa o desenvolvimento de armas capazes de produzir uma "guerra sem baixas". Tal intenção nunca pareceu muito factível. O grande problema é que muitas das armas ditas "não-letais" geralmente não atuam apenas assim. Na área policial, por exemplo, é sabido que o gás pimenta, agente químico supostamente "não-letal", esteja implicado em mais de 100 mortes pelo mundo afora. Não faz muito tempo faleceu em Brasília um policial militar, com um outro policial ficando incapacitado permanentemente, num mesmo acidente de treinamento em que ambos foram expostos a uma overdose do supostamente inócuo gás lacrimogêneo.

      No tocante a agentes psicoquímicos, a impossibilidade de utilização do LSD, em aerosol, levou ao desenvolvimento do "BZ" pelo exército norte-americano no início da década de 1960. Esse agente psicoquímico, um super-alucinógeno, chegou mesmo a ser empregado no Vietnã pelos norte-americanos. Ao final de muita pesquisa, entretanto, o exército dos EUA concluiu que em face da dinâmica das condições meteorológicas, caso do vento inclusive, seria muito difícil controlar o gás "BZ" e assim proteger "forças amigas" de uma eventual contaminação acidental. Uma "overdose" dele pode ser fatal.

      Apesar da posição do exército norte-americano, sabe-se que a CIA continuou a considerar o "BZ" em suas atividades de pesquisa e desenvolvimento de substâncias visando promover modificação de comportamento e controle da mente. E isso encontra considerável respaldo nas atuais tendências, tanto na área policial quanto militar, de produzir armas capazes de incapacitar apenas de forma reversível, visando desmoralizar um eventual opositor em lugar de matá-lo. Assim, o que existe de mais corrente sobre o tema são pesquisas sobre potentes produtos naturais, incluindo psicotrópicos e imobilizantes. A tendência fica mais patente ainda quando forças policiais domésticas consideram a conveniência da utilização de várias modalidades de armas "não-letais" e "menos-que-letais", principalmente no manejo de distúrbios civis.


      * O Dr. George Felipe de Lima Dantas é especialista em segurança pública


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